As Gordas e o Tinder

As Gordas e o Tinder

Magras, altas, gordas, baixas, extrovertidas, introvertidas, exibidas, tímidas, todas nós na vida passamos por um momento chamado S-O-L-T-E-R-I-C-E. Algumas passam por ele de maneira leve e o encaram como um período cheio de possibilidades e aventuras. Outras, não se veem satisfeitas sem uma pessoa ao lado. E é para estas pessoas que eles surgem, os aplicativos para relacionamentos. Eles não são novidade e existem desde os tempos mais jurássicos da Internet e continuam se reinventando para auxiliar o encontro daqueles que estão em busca de um par (geralmente só por uma noite). O mais recente e utilizado deles é o Tinder. Na teoria, Tinder é:

Sem título

Na prática, ele pode ser resumido como um cardápio de pessoas. Porque é assim que funciona. Você está lá sem fazer nada e pensa: ah! vou passar o tempo escolhendo uns seres humanos. Aí você passa uma hora naquele gostei, não gostei, gostei, não gostei. Até que OPA, Match! A partir daí pode chegar um Olá, tudo bem? e aquelas perguntas de sempre, troca de whatsapp, mensagens diárias por um semana, marca o encontro, sai, conversa, beija e transa. E pronto, no outro dia já começa a busca por um novo par. Pronto, é assim que funciona. Bem, para quem está dentro do padrão é assim. Mas quando se é gorda, o processo é bem diferente.

A diferença começa já na criação do perfil. Para as fotos que irão aparecer lá você busca as melhores fotos da sua vida, e de preferência de rosto (o que é uma porcaria!), porque ninguém é obrigada a levantar provas “contra” si, né meninas?  Depois chega a hora de escolher para quem você vai dar um coraçãozinho. Claro que os bonitões chamam de cara a atenção, né? Mas aí vem o alerta: não, passa, esse daí nunca iria dar bola pra você. E aí você passa a escolher só os caras potencialmente possíveis, mesmo que eles não sejam tão interessantes assim. Isso porque por culpa de uma sociedade preconceituosa e estagmatizadora a autoestima (de muitas, não todas) está perto do chão. É triste, mas às vezes a gente acaba aceitando o que vier.

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Depois de um tempo passeando pelo cardápio, finalmente um match. A história se repete até chegar no momento de marcar o encontro. Nessa hora é que o drama se instala e todas as neuras e episódios de rejeição que você passou na vida por ser gorda retornam à sua cabeça e as únicas coisas você consegue pensar é: será que ele vai ficar comigo? como ele vai reagir? será que vai rolar? Como feminista, no fundo eu to dizendo que SE FODA ele e o que ele acha ou deixa de achar. Mas não posso mentir e dizer que esses pensamentos não me veem à cabeça, tanto que nunca marquei um encontro pelo Tinder. Junta a timidez e a possibilidade de rejeição aí fica impossível sair de casa pra encontrar um desconhecido. E falo isso não só por mim, mas por já ter recebido de amigas no WhatsApp: amiga, ele tá querendo sair, mas estou sem coragem. Ele já sabe que eu sou gorda, mas sei lá…Que droga, ein?

No Tinder e fora dele é por esse constante medo de reprovação e rejeição que nós (gordas) passamos diariamente nos mais variados espaços de convivência e também dentro de nós. Mas eu sei que vai chegar o dia em que o “Somos todos iguais” se tornará realidade.

Aqui vai um link que mostra que o que falei não é tão sem fundamento assim:
Experimento social mostra a rejeição que mulheres acima do peso sofrem http://bit.ly/1HXJ8gi

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