Relato – Lelinha Dantas

Relato – Lelinha Dantas

Olá pessoas, sendo bem sincera não sei muito bem como começar, mas acredito que sendo sincera já é um grande passo.

Pois bem, a minha relação com o meu corpo nem sempre foi das melhores, eu sempre me considerei gorda (ou pelo menos gordinha), desde a infância, tenho uma estrutura grande, sempre fui a maior da turma e por vezes isso me incomodou, mas não ao ponto de eu não me amar, eu me considerava bem resolvida e feliz “apesar” do meu corpo.

Em 2008 as coisas tomaram outro rumo, quando descobri que tenho lupus, uma doença auto-imune, que tem muito a ver com a forma que as emoções passavam/passam na minha vida. Depois de muita medicação errada, algumas internações com diagnósticos equivocados, chegamos ao diagnóstico correto, foi uma tristeza, eu tinha apenas 16 anos e não sabia como seria dali para frente, eu tinha medo, mas escondia de todos, até de mim. Com o diagnóstico fechado, chegou a hora do médico, que a partir de agora seria meu companheiro por um período indeterminado, me esclarecer como seria minha vida a partir dali. Lembro-me daquele discurso como se tivesse acontecido ontem:
-Olá Wellen, se sente melhor? Precisamos conversar um pouco.
Tudo que eu queria ouvir é que eu ficaria bem e voltaria à minha vida normal,mas não foi exatamente o que ele falou.
Ele continuou o papo, do auge de todo o seu conhecimento supremo:
-Você já começou o tratamento com corticóides e vai precisar tomá-los pelo resto de sua vida, assim ficará bem! As pessoas com lupus só precisam se cuidar. E quanto ao corticóide, ele vai fazer você engordar, de antemão já lhe aconselho a procurar um psicólogo, porque é melhor ficar gorda e viva do que magra e morta.

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Não me lembro como o respondi, nem como reagi à princípio, mas aquelas palavras não saíram nunca mais da minha memória. No fundo eu esperava que ele estivesse sendo um tanto dramático, afinal o que seria “ficar gorda” para alguém que sempre foi gordinha? Eu tinha certeza que tiraria de letra. Já nos primeiros três meses de tratamento foram 22 quilos a mais, ele tinha razão, eu precisaria da ajuda de um psicólogo.

As pessoas na rua me olhavam torto, todas elas, as que me conheciam e as que nunca haviam me visto. Eu estava irreconhecível para os outros e mais ainda para mim, olhar-me no espelho era doloroso. Três meses não foram suficientes para eu me preparar para ganhar o peso de duas gestações de uma vez.
As dosagens dos remédios só poderiam ser reduzidas com o controle da doença(intimamente ligado ao emocional), mas a essa altura eu estava com depressão, tomando remédios pra conseguir sorrir.

Durante alguns anos fui à uma médica que nada tinha a ver com a minha doença, ela fazia o papel de alisar as tapas que aquele médico “companheiro” me dava com palavras à cada consulta. Ele dizia: “Eu avisei, você já sabia que ia ficar assim!” e ela completava: “Você continua linda, não se preocupe que isso vai passar.”.Hoje a minha relação com meu corpo é de gratidão, acredito que ele é um templo, não uma prisão, devo cuidar dele porque ele é meu lar enquanto houver vida.

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Sou contra apologias à gordura e à magreza, e a favor da saúde e do bem estar. Sejamos felizes nos corpos em que moramos, a saúde dele está intimamente ligada à relação que temos com os mesmos.lelis2

É importante não esperar emagrecer (ou engordar) para ser feliz, comecem agora!

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