Relato – Bruna Talita: Infância, Dança e Gravidez

Relato – Bruna Talita: Infância, Dança e Gravidez

            Meu nome é Bruna, tenho 27 anos. Algumas pessoas podem até me questionar do porque estou fazendo um relato pra um blog que fala de mulheres gordas, pois, para muita gente não chego a ser gorda (amigos e família, é claro!). Eu nunca fui magra, também nunca fui gorda, sempre estive na margem do peso que os médicos consideram ideal. Quando eu era criança, tipo uns 4 ou 5 anos de idade, eu já encolhia a barriga quando as pessoas se aproximavam de mim, era impressionante o complexo desde criança. Às vezes o espelho me mostrava uma Bruna totalmente deturpada, que se via como um bicho feio de 7 cabeças. E sabe meninas, o mundo hoje é tão cruel que, não basta você vestir o seu tamanho 40, não basta não estar acima do peso, se você tem um rostinho redondo ( como o meu), quadril largo, e uma barriga proporcional ao seu corpo sem ser precisamente aquela barriga chapada de academia, você ainda vai ser vista como A GORDA! Mas, ser vista como gorda não é a parte ruim, o triste é que por alguém te enxergar como gorda, ela logo te imagina sentada na frente de uma tv o dia todo com um pote de sorvete e bacon nas mãos, não trabalha, não faz nada, apenas come como uma porca ( adjetivo que eu escutei muito nos tempos da escola), contribuindo assim pra que a cada dia eu me odiasse mais e mais. Quando fiz 16 anos, resolvi que tinha que acabar com a fama de porca comilona: passei 6 meses me alimentando apenas de maçã e água!, Sim, foi isso mesmo que vocês leram!!! E o que eu ganhei? Uma bela de uma anemia que até hoje não consegui me livrar.

            Deixo bem claro que me relato não é pra dizer o quanto me sinto ou me senti gorda, e sim pra falar de aceitação, independente do corpo que a gente possui. Me tornei adulta e o complexo de inferioridade continuou me acompanhando, fiz universidade, ficava dias sem comer toda vez que alguém me via e dizia que eu estava mais cheinha, isso era frustrante pra mim, por que na minha cabeça uma pessoa cheinha não podia e nem deveria fazer nada e nem existir. Então, conheci a dança Oriental (ventre), e aos poucos fui conseguindo me ver mais bonita do jeito que eu era. Por um tempo eu até relaxei, mas quando cheguei a fase mais profissional deste meio, voltei a me sentir inferior, a tal ponto que já cheguei a cancelar apresentações por que estava com a barriga inchada do período pré menstrual.

            Quando passei a ser professora desta dança conheci inúmeras mulheres que eram gordinhas e muito bem resolvidas, inclusive minha mestra, a que me ajudou a dar os primeiros passos, foi uma bailarina incrível e não era nada magra. A dança Oriental tem esta liberdade corporal, não tem padrão de corpo, ela levanta a autoestima automaticamente. Mas aí, o que aconteceu depois? Engravidei!!! E todo o medo do meu próprio corpo veio a tona novamente. Engordei exatos 28 kg na minha gestação, ganhei inúmeras estrias, e acabei tendo um inicio de depressão pós-parto quando tive minha bebê. Todo o ódio pelo meu corpo veio em dobro, o medo de nunca mais recuperar o corpo de antes. Era alegria por ter minha filha linda nos meus braços e tristeza porque me senti um lixo depois de tudo isso.

bruna talita
Na sequência: durante a gravidez, 1 mês após o fim da gestação e 2 meses depois

Hoje, faço uma reeducação alimentar pra conseguir voltar ao que era, não porque eu ache que não sou especial se não for magra, mas porque tive muitas complicações na minha gestação, diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e colesterol bem alto. Hoje estou emagrecendo por questões de saúde, e graças a Deus tenho um marido que adora cada estria do meu corpo, as marcas do maior presente que dei a ele. Não vou dizer pra vocês que já me aceitei totalmente, mas digo com toda certeza qu12212012_1147885568562399_1196476904_ne eu luto todos osdias pra me ver como realmente sou, e não como os outros acham que eu sou. A luta continua!

           Eu consegui emagrecer já 22 destes 28 que engordei, por questões de saúde mesmo. Meu relato é diferente do das outras, porque todas falam do quanto são poderosas e se sentem bem, mas o meu fala dos sentimentos de muitas mulheres que ainda estão na luta pra conseguirem se aceitar e se verem lindas da maneira que são.

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