“Corre, gordinha!” – Sobre exercitar-se sendo gorda e superar julgamentos

“Corre, gordinha!” – Sobre exercitar-se sendo gorda e superar julgamentos

Pra quem acompanha o blog e me conhece, sabe que fui gorda a vida inteira e acabei emagrecendo há pouco tempo, o que não me livrou de comentários gordofóbicos de alguns colegas que patrulham minha saúde com comentários do tipo “Cuidado pra ver se não engorda tudo de novo, né??”, como se ganhar peso fosse sinônimo de algo ruim ou falta de cuidado com a saúde. Mas eu acho que não é novidade que ser gorda não está diretamente relacionado à falta de uma alimentação adequada ou com falta de exercícios.

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Não era por que eu era gorda que eu não praticava exercícios físicos. Eu fiz karatê durante seis anos da minha vida e era gorda quando praticava. Isso nunca me impediu de fazer nada ou de deixar de realizar movimento nenhum. (E aí vai uma foto bem queimação porque, né, não basta dizer, tem que mostrar, hehe)

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Aliás, devido ao karatê minha aptidão física sempre foi muito boa. Praticar karatê não bastava pra eu ouvir comentários diariamente como: “Precisa se exercitar mais” ou ouvir do médico: “Precisa dar uma caminhadinha”, mesmo tendo meus exames na mais perfeita ordem. Exercício físico sempre foi uma paixão pra mim, desde quando pratiquei karatê. E lá no dojo (local onde ocorriam as aulas) eu não sofria preconceitos, mas fui, aos poucos, deixando de lado essa paixão, porque começou a se tornar uma obrigação, já que eu deveria, para os outros, sempre buscar resultados de emagrecimento fazendo exercícios.

Só depois de uns quatro anos é que retornei a me exercitar. Caminhava e depois comecei, aos poucos, a correr. Sentia vergonha de ir a uma academia com meus 130kg e isso é tão comum entre mulheres de modo geral… Pessoas gordas que sofrem gordofobia tendem a não frequentar determinados ambientes cansadas de ouvir comentários ou aguentar olhares de julgamento alheio.

Por isso sempre tive uma batalha contra a exposição do meu corpo. Nunca me esqueço quando comecei a correr e, logo no primeiro dia que me arrisquei, ouvi: “CORRE, GORDINHA!”, de um grupo de homens que passou por mim. E eu continuei correndo sim e como corro até hoje e continuo sendo, por vezes, assediada (muitas vezes dá vontade de dar uma rasteira em quem é invasivo demais).

As pessoas invadem demais o corpo alheio. E o exercício acaba se tornando chato, coisa que não deveria ser. Exercício é amor e prazer, é serotonina, é divertir-se, movimentar-se. Mas essa política de regulação corporal faz tudo parece uma grande merda, um grande martírio. Hoje frequento uma academia e descobri nela aulas de ginástica que, por vezes, eu faço e gosto muito. Acredito que o ambiente da sala de ginástica julga menos que uma sala de musculação e isso deixa, de fato, as pessoas mais à vontade.

Mas, mesmo sendo um ambiente mais receptivo, isso não me poupa de comparações. Tenho uma colega gorda em uma das aulas e algumas pessoas sabem que perdi peso durante a vida. Já ouvi comentários do tipo: “Tá vendo? Marcella conseguiu, você só precisa ter força de vontade”, sem sequer a pessoa gorda ter sido perguntada se ela quer ou não emagrecer. E se ela não quiser, e se quiser só se divertir, ter descargas de hormônios de prazer no corpo?? E afinal, o que é “força de vontade”? E se, simplesmente, eu não quiser ter força de vontade?

Hoje em dia o que mais a gente vê e acompanha são “blogueiras fitness” que passam dietas, exercícios e tantas outras coisas mais no intuito de manter-se magra O que já é errado, porque só quem pode receitar algo são nutricionistas, médicos e educadores físicos. Qualquer coisa vale a pena. A coisa tá ficando tão crítica que até uma dessas blogueiras incitou o vazamento de imagens da colega caso a outra não cumprisse a dieta semanal. O quão doentio é essa política de manter-se saudável??

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A política de manter-se saudável que eu apoio é poder apenas sentir-se bem e frequentar o ambiente que quiser, usar a roupa que quiser, dançar zumba, praticar musculação, correr…ou então ficar em casa e sentar assistindo séries e comendo uma pipoquinha. Porque devemos fazer o que queremos. E, depois que vi esse vídeo curtinho é que percebi mais ainda que nós podemos tudo:

“This Girl Can” é uma campanha que celebra as mulheres que não se importam como elas aparentam ou o quão suadas elas ficam. Elas estão aqui para nos inspirar a mexer, balançar, se mover e provar que o julgamento é uma barreira que pode ser superada”

“Eu balanço, logo existo”

“Suando quem nem uma porca”

“Se sentindo como uma raposa”

“Eu chuto bolas”

“Isso mesmo, eu me sinto ‘quente’”

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