Porque as mulheres devem falar de gordofobia?

Porque as mulheres devem falar de gordofobia?

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Fonte: http://gordivah.blogspot.com.br/2015/10/cartazes-contra-gordofobia.html

Lembro que meses atrás postei no face 3 ou 4 frases, sobre sonhar com um mundo onde gordofobia não existiria e que uma gorda se amar não seria visto como uma afronta. Acho que não passou uma hora para uma conhecida responder que ela também sofria preconceito por ser “magrinha”, e que não adianta reclamar porque seja você gorda ou magra, sempre haverá quem critique nossa aparência.

Como eu ía explicar para ela que não era bem assim? Como eu poderia explicar o constrangimento de entrar em uma loja e ouvir da vendedora que nada do que era vendido lá provavelmente serviria em você? Como eu poderia explicar os olhares curiosos que são direcionados a você e seu prato em um restaurante self service? Como eu iria explicar que  ninguém deixa de ser contratado por ser magro, afinal, ser magro não é sinônimo de doença? Que eu nunca vi alguém associar magreza a desleixo e falta de amor próprio.

Eu não consegui explicar, na verdade nem respondi mais e me calei.

Relativizar um preconceito sofrido facilita a criação de uma invisibilidade e acaba gerando uma nova opressão. É o que chamamos de falsa simetria. Ou seja, quando você compara situações que aparentemente são parecidas, mas não avalia o contexto e os sujeitos nela envolvidos, e assim deixa de ver que as consequências delas são bastante distintos.

É inegável que a gordofobia atinge mais mulheres do que os homens, e para comprovar isso basta olhar as as pesquisas sobre transtornos alimentares como a anorexia e a bulimia, a grande maioria dos pacientes diagnosticados são mulheres.

De quem é cobrada as unhas feitas, o cabelos macio (de preferência liso e com nuances douradas), as roupas e acessórios que estão em moda na estação? Vamos comparar quantas fotos de mulheres e de homens “abdômen trincado” ou ainda a tal “barriga negativa” são divulgadas na internet com o tom de elogio? Quantas fotos encontramos nos portais de notícias onde as marcas de celulite um homem são tratadas como um defeito?

Não vou comparar a gordofobia ao racismo, lesbofobia, transfobia…. São opressões distintas, que alcançam mulheres de modos diferentes com várias repercussões e que tem que ser cada vez mais e mais debatidas.  

Crescemos ouvindo um discurso onde mulher tem que se cuidar, tem que estar bonita, ser meiga, educada, delicada e desejável. Somos objetificadas, e nos encarar como obras de arte lapidadas durante toda a vida para brindar a contemplação alheia com um espetáculo. Ser gorda, bate de frente com essa idealização. E afrontar o status quo sempre vai ter um preço. Ser mulher gorda é isso, é afrontar quem você nunca viu com a sua existência. E aí de você se não mostrar o mínimo de constrangimento ou culpa por isso, existir e andar por aí.

as gordas
Fonte: http8tracks.comaline-valekchega-de-gordofobia

Por isso a gordofobia deve ser debatida dentro do feminismo. O discurso que cria padrões de corpo são um dos mais utilizados para fragilizar mulheres. Desde de nossa infância somos atiradas nessa corrida maluca em busca de um corpo, de um padrão estético por vezes inalcançável. E todo este processo deixa marcas para físicas e psicólógicas que carregaremos por toda nossa vida.

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