Ser gorda dá trabalho??? E quando a gordofobia é empregada?

Ser gorda dá trabalho??? E quando a gordofobia é empregada?

trabalho

Desde 1995 que é  proibido por lei a exigência de “boa aparência”, entre outros pré requisitos considerados descriminatórios, para a candidatura à uma vaga de emprego. No entanto, embora abolida oficialmente, padrões estéticos costumam interferir nas seleções. Basta uma rápida busca no Google que encontraremos facilmente várias matérias onde profissionais de RH apontam a aparência como fator determinante para a contratação ou não de uma pessoa.

Infelizmente, a prática não se restringe ao setor privado. Vários candidatos aprovados em concurso público já tiveram sua posse negada após passarem por uma perícia médica que os considerou inaptos a exercer a função.  Como foi o caso de uma professora de Sociologia, de uma bióloga, e de uma diarista. Todas recorreram ao judiciário na tentativa de garantir as vagas para as quais se classificaram.

Como já tratamos em outros posts aqui no blog, há todo um discurso utilizado em nossa sociedade que associa pessoas gordas à falta de hábitos saudáveis, à patologização, à preguiça e consequentemente à baixa produtividade, enfim, pessoas gordas estão em desconformidade com os padrões estéticos.

E os problemas não param por aí. Após a admissão não são raras as situações onde pessoas (principalmente mulheres) são submetidas a situações constrangedoras que vão desde “brincadeirinhas inocentes” até humilhações explícitas. E basta uma reação para que se invoque o argumento de que aquele ato foi bem intencionado, que o autor estava preocupado apenas com nossa saúde. O que já estabelece um contraponto com o discurso propagado de forma ampla no meio corporativo, de que o pessoal não deve interferir no ambiente de trabalho.

O que é mais pessoal do que o corpo?

Profissionais devem ser avaliados a partir de sua formação, das vivências, experiências que podem de alguma forma contribuir para o desempenho das funções as quais se candidatam. E não pelo gênero, orientação sexual, existência de filhos ou intenção de tê-los, e muito menos pela aparência.

Apresentando a Tia do Feltro e As Gordas

Apresentando a Tia do Feltro e As Gordas

Hoje a gente quer apresentar para vocês uma ideia bem bacana que chegou até a gente. Fernanda, a Tia do Feltro, lá de Campo Grande (MS) faz um trabalho bem lindo. ❤ Bora saber mais?
Aproveita e depois dá uma passadinha lá na página dela!
Fala, Fernanda! 😀

 

12541057_1674748472768331_3979403523489149063_n
ain que fofa! 😀
“Me chamo Fernanda, sou formada em Artes Visuais, parei de dar aulas para ficar com minha filha. Comecei a fazer artesanato sem saber costurar, aprendendo com uma amiga e acabei criando o Tia do Feltro!
 
Comecei com coisas geeks, desenhos animados, bonecos personalizados, feitos a partir de fotos das pessoas. Os Mini Humanos. Os criei para minha filha levar eu e meu marido, para quando fosse dormir na casa da minha mãe, sentindo menos saudades nossas.
 
Agora com 7 anos, minha filha brincando com suas bonecas, parou e perguntou o por quê de nenhuma ser gorda. Bom, eu sou gorda, e por quê não fazer uma boneca com tamanho e cor real?
 
Fui e fiz a primeira, amei, depois a segunda, e agora estou aceitando encomendas para fazer cada mãe, tia, avó ou cada criança que seja com peso, altura ou cor diferentes das que as empresas fazem.”
12507497_1675868925989619_3321396418051123494_n
Linda, né?! ❤
Disney, eu também quero ser princesa!

Disney, eu também quero ser princesa!

princesas-disney

Desde pequena, sempre fui apaixonada por filmes da Disney, especialmente os de princesa. Sempre os assisti até saber todas as falas e músicas decoradas, e até hoje, com meus quase 24 anos, são filmes que fazem parte da minha rotina, e tenho sempre um carinho por eles, seja por seus ensinamentos ou apenas pela memória afetiva mesmo.

A primeira princesa foi Branca de Neve, em 1937. O ideal do imaginário feminino, princesa delicada, doméstica, passiva. E, como o nome já dizia, branca. Esse ideário foi repetido em diversas princesas que vieram nos anos seguintes, como Bela Adormecida, Cinderela.

A partir da década de 90, a Disney acompanhando de certa forma os avanços sociais, começou a chamada “Era da representatividade”, onde começamos a ver mudanças na imagem das princesas. E foi aí que começamos a ver indígenas, orientais, árabes. Foi a vez de Pocahontas, Fa Mulan, Jasmine. Uns dez anos depois, veio o “passo mais largo” com a nossa primeira princesa negra, Tiana (d’A Princesa e o Sapo). Além da mudança de imagem, a personalidade dessas princesas também mudou. Elas viraram princesas cada vez mais fortes, que salvavam seus príncipes, que salvavam seu país, que desafiavam os costumes da época. Ponto pra Disney!

Nos últimos anos, vieram as princesas ditas ~feministas~. Merida (Valente) termina seu filme solteira, a lindeza do Frozen fala do amor de irmã ser mais importante que o amor de um homem. Mais uma vez, ponto pra Disney! Mostra que mesmo que a passos lentos, vemos mensagens cada vez mais importantes sendo passadas nos filmes que, admitamos, influenciaram tanto nossa infância e continuam influenciando a vidinha de muitas menininhas por aí – e espero que continue por muitos anos, porque se um dia tiver filhas, quero que elas vejam os filmes da minha infância.

Mas aí você olha pra mim, e fala “Ok Adelis, esse blog não era sobre Disney. Porque você tá dando uma aula de princesas?”. E eu te conto agora mesmo. Por que uma das coisas mais importantes que todas essas mudanças nas princesas trouxeram pra vida foi a representatividade. Foi a menina poder ver no cinema, nos produtos, uma princesa com seu tom de cabelo, com seu tom de pele, com seu nariz.

E o que essas princesas todas tem em comum? Sejam elas brancas, negras, orientais, loiras, morenas? São todas magras. Inclusive, a cada ano mais magras. Mesmo com todo o boom da representatividade, a menina gordinha não vai se enxergar no filme. Ser gorda e ser princesa não combinam, a Disney manda a mensagem. E assim, vai ensinando desde a mais tenra idade que o cuidado com o peso, o olho na balança é uma coisa real!

1530336_233744560131571_1263422998_n
O artista brasileiro Edull redesenhou as princesas gordinhas, super modernas!

A gordura é vista como coisa ruim, literalmente. Basta lembrar que os personagens gordos que lembramos são todos vilões. É a Ursula, da Pequena Sereia, a Rainha de Copas, de Alice. Dessa forma, vamo lá perpetuando a mensagem.

Há uns anos, a Disney passou por diversas críticas por, na linha oficial das “Princesas” (linha comercial), além do tradicional trocar de vestidos, todas passaram por um embranquecimento (claro, as que já não eram brancas), e um “embelezamento”: afinaram, passaram maquiagem até na Pocahontas, domaram os cachos do cabelo da Merida. Depois de muitas críticas, a Disney cancelou essa mudança.

princesas-da-disney1-1024x717
Redesenho criticado das princesas em 2012, em que elas emagreceram, embranqueceram e afinaram os narizes.

Enfim, por mais que eu nunca tenha me sentido visualmente representada, um dos meus exercícios infantis na brincadeira de “ser princesa” era procurar alguma característica que eu pudesse me identificar e me encaixar. Era assim que eu “era” a Bela, da Bela e a Fera, por ela ser uma leitora compulsiva e ser “a única princesa que ganha uma biblioteca de presente”. Era o meu jeitinho de burlar.

tumblr_mz9o7hTWp61r1uuc8o2_500
“Minha amiga decidiu dar a todas uma princesa para sua festa temática da Disney, mas eu fiquei imaginando quem eu vou ser, porque eu sou a única gorda que não parece com nenhuma princesa”

Continuo acompanhando os lançamentos, e a próxima princesa será Moana, a primeira polinésia. Mais um avanço na representação! E pela sinopse da história, que sai esse ano, ela vai continuar na linha das princesas fortes, corajosas, decididas (como somos nós, mulheres!). Eu continuo acompanhando e continuo torcendo pra que, um dia, eu também possa ser (ainda mais) princesa. Disney, manda uma gordinha aí!

5 canais anti-gordofobia no Youtube

5 canais anti-gordofobia no Youtube

Nos últimos anos, a militância, nos mais diversos temas,  ganhou um novo ambiente de atuação, a nossa amada Internet <3. Nela, a comunicação pode ser estabelecida através de várias linguagens, como em texto, áudio, vídeo, imagens. E mais recentemente o vídeo vem ganhando muito espaço, por ser uma das linguagens mais atrativas e de simples compreensão, sendo o YouTube a plataforma mais utilizada. Aqui no As Gordas, apostamos no poder da escrita, mas em breve estaremos lá pelo Youtube também, inclusive já podem ir se inscrevendo no nosso  canal .

tumblr_mvy7t0PfIb1rw9bp3o1_1280

Por isso, no texto de hoje resolvemos trazer uma lista de canais anti-gordofobia e sobre autoestima para vocês conhecerem. Bora lá?!   

Coletivo Gordas Livres

Gordas Livres é um coletivo online que vem fazendo pequenos trabalhos em prol dos indivíduos gordos englobando as necessidades emocionais, físicas, psicológicas e também estéticas. Com intuito de reverter a lipofobia internalizada (aspectos pessoais) e também a coletiva para indivíduos não gordos dispostos a impulsionar a imagem positivava do gordo na sociedade.

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCdw6sVO6qXumcEXewF2HAPQ

GorDivah No Ar

Se você também não aguenta mais gordofobia, este é seu canal. Vídeos bem humorados sobre as delícias e agruras de ser uma gorda blogueira/vlogueira/modeloXXL/ace Gray A.

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCPCAcThQid6Rz1V2hCuVyBA

Gorda e Zen

Blog pessoal, mantido pela Tatiana Vieira sobre aceitação e autoestima.

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCGV29-MYMqY3WLNX2uRmNqw  

Gorda de Boa

Canal da Jéssica Tauane (Canal das Bee) que diz: tem gente que é magro de ruim… já eu sou uma gorda de boa.

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCORzZlM_fWAuCFc_TjEv9wg

Ju Romano

E para aquelas mais ligadas em moda, a dica é o canal da Ju Romano. 😉

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC98OXziBFGRga3tQgUCOgcw

tumblr_nij9anrdYh1u8l9veo1_500

*As descrições foram retiradas dos próprios canais.

** Para conhecer as páginas no Facebook basta clicar nos nomes dos canais.

“Diga-me com quem andas, que direis quem és”: Pode se relacionar com pessoa gorda?

“Diga-me com quem andas, que direis quem és”: Pode se relacionar com pessoa gorda?

Estava, esses dias, conversando com minha cunhada, esposa do meu irmão mais velho, que é gordo. E ela me perguntou se eu não poderia escrever um texto sobre a pressão que ela sofre (o correto seria ela escrever ou até mesmo meu irmão). Me perguntei automaticamente qual pressão ela sofreria por conta de Thiago, meu irmão, e ela me respondeu logo em seguida um motivo que eu achei bem válido:

– É muito chato ter que ficar ouvindo questionamentos dos meus parentes que ficam me perguntando o motivo de eu ter casado logo com Thiago, que é gordo.

12506894_10208298526964817_665774778_n
        Estes são minha cunhada e meu irmão. 🙂

Fui pensar em outros relacionamentos e em outras coisas que se ouve durante a vida e que a pessoa gorda escuta passivamente, já que ela aparece, para quem faz esse tipo de comentário, sempre como um “acessório” de alguém magro. Isso me fez perceber como não só alguém não pode ser gordo, mas também ninguém pode se relacionar com uma pessoa gorda, porque isso a torna uma pessoa diferente:

“Porque você não dá um jeito nele?”

“Você bem que poderia aconselhar ele a fazer uma dieta”

“Você merecia coisa melhor”

Estes são alguns dos comentários que as pessoas magras que namoram, são família, são amigos, de pessoas gordas escutam durante a vida. A partir disso podemos perceber como as pessoas, de modo geral, sofrem com os respingos da gordofobia que cai sobre o(a) gordo(a). Estes respingos não são necessariamente e diretamente ligada ao corpo ou padrão de quem passa por isso, ou seja, namorada(o), irmã(o)s, pais, amigo(a)s. A sociedade anda tão preocupada com quem nós andamos e com quem nos relacionamentos, desnecessariamente, diga-se de passagem, que reverbera aquele velho ditado e os velhos preconceitos de que você é igual a quem você anda. Isso vale não só pra gordofobia, mas também pra comentários homofóbicos, lesbofóbicos, racistas, classistas, capacitistas, como a gente sempre procura ressaltar nos nossos textos.

Logo, se você se relaciona com alguém gordo ou: 1. Você merece alguém melhor, 2. Vai ficar igual a ele. Este, certamente, não é o maior problema da gordofobia, mas é importante. Eu sei que existe muita gente que acompanha o blog que não é gorda. E isso é importante também, pois precisamos deixar claro situações de preconceito que são “invisíveis”, visto que é tão naturalizado que só a pessoa gorda sente. Provavelmente, em algum momento, todos nós já ouvimos comentários como os que listei acima ou até pra quem é mãe ou pai, que ouve coisas do tipo: “Você não cuida da saúde da sua filha não?”.

Tais comentários, regulando, julgando ou se preocupado demais com a vida e os relacionamentos alheios (por motivos inúteis) faz com que quem se relaciona com pessoas gordas se sinta sim incomodada, pressionada e, obviamente, também faz muito mal à pessoa gorda, que se sente um objeto sendo carregado, sem vontades e escolhas próprias. Isto, inclusive, leva a algumas pessoas gordas a se tornarem mais solitárias por medo de julgamento, por não se acharem merecedoras da amizade ou amor alheio pelo modo como terceiros falam.

Pessoas gordas passam a vida toda ouvindo (mesmo que de forma subliminar) que devem ser ótimas, mais engraçadas, melhores de cama para compensar essa característica de ser gordo que os outros consideram como algo negativo por conta da gordofobia. As pessoas, muitas vezes, tendem a dizer que “devemos olhar além do fato de alguém ser gordo”. Mas não é assim. Devemos olhar as pessoas e suas características, seja ela qual for, ninguém é aquilo que está além. Nós somos isso. Corpo, carne, pensamentos, sorrisos, roupas. Então conviva, aprenda, ame quem você quiser da maneira que ela é, levando em consideração suas diferenças, porque são elas que nos constituem como seres humanos diferentes e únicos.

E pessoas magras: namorar alguém gordo(a) não lhe faz nem melhor (não se ache um ser especial que  vê mais ou melhor que os outros) e nem pior. Faz  de você apenas uma pessoa normal :).

1170929_1682798285294230_2210354379829748548_n