“Diga-me com quem andas, que direis quem és”: Pode se relacionar com pessoa gorda?

“Diga-me com quem andas, que direis quem és”: Pode se relacionar com pessoa gorda?

Estava, esses dias, conversando com minha cunhada, esposa do meu irmão mais velho, que é gordo. E ela me perguntou se eu não poderia escrever um texto sobre a pressão que ela sofre (o correto seria ela escrever ou até mesmo meu irmão). Me perguntei automaticamente qual pressão ela sofreria por conta de Thiago, meu irmão, e ela me respondeu logo em seguida um motivo que eu achei bem válido:

– É muito chato ter que ficar ouvindo questionamentos dos meus parentes que ficam me perguntando o motivo de eu ter casado logo com Thiago, que é gordo.

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        Estes são minha cunhada e meu irmão. 🙂

Fui pensar em outros relacionamentos e em outras coisas que se ouve durante a vida e que a pessoa gorda escuta passivamente, já que ela aparece, para quem faz esse tipo de comentário, sempre como um “acessório” de alguém magro. Isso me fez perceber como não só alguém não pode ser gordo, mas também ninguém pode se relacionar com uma pessoa gorda, porque isso a torna uma pessoa diferente:

“Porque você não dá um jeito nele?”

“Você bem que poderia aconselhar ele a fazer uma dieta”

“Você merecia coisa melhor”

Estes são alguns dos comentários que as pessoas magras que namoram, são família, são amigos, de pessoas gordas escutam durante a vida. A partir disso podemos perceber como as pessoas, de modo geral, sofrem com os respingos da gordofobia que cai sobre o(a) gordo(a). Estes respingos não são necessariamente e diretamente ligada ao corpo ou padrão de quem passa por isso, ou seja, namorada(o), irmã(o)s, pais, amigo(a)s. A sociedade anda tão preocupada com quem nós andamos e com quem nos relacionamentos, desnecessariamente, diga-se de passagem, que reverbera aquele velho ditado e os velhos preconceitos de que você é igual a quem você anda. Isso vale não só pra gordofobia, mas também pra comentários homofóbicos, lesbofóbicos, racistas, classistas, capacitistas, como a gente sempre procura ressaltar nos nossos textos.

Logo, se você se relaciona com alguém gordo ou: 1. Você merece alguém melhor, 2. Vai ficar igual a ele. Este, certamente, não é o maior problema da gordofobia, mas é importante. Eu sei que existe muita gente que acompanha o blog que não é gorda. E isso é importante também, pois precisamos deixar claro situações de preconceito que são “invisíveis”, visto que é tão naturalizado que só a pessoa gorda sente. Provavelmente, em algum momento, todos nós já ouvimos comentários como os que listei acima ou até pra quem é mãe ou pai, que ouve coisas do tipo: “Você não cuida da saúde da sua filha não?”.

Tais comentários, regulando, julgando ou se preocupado demais com a vida e os relacionamentos alheios (por motivos inúteis) faz com que quem se relaciona com pessoas gordas se sinta sim incomodada, pressionada e, obviamente, também faz muito mal à pessoa gorda, que se sente um objeto sendo carregado, sem vontades e escolhas próprias. Isto, inclusive, leva a algumas pessoas gordas a se tornarem mais solitárias por medo de julgamento, por não se acharem merecedoras da amizade ou amor alheio pelo modo como terceiros falam.

Pessoas gordas passam a vida toda ouvindo (mesmo que de forma subliminar) que devem ser ótimas, mais engraçadas, melhores de cama para compensar essa característica de ser gordo que os outros consideram como algo negativo por conta da gordofobia. As pessoas, muitas vezes, tendem a dizer que “devemos olhar além do fato de alguém ser gordo”. Mas não é assim. Devemos olhar as pessoas e suas características, seja ela qual for, ninguém é aquilo que está além. Nós somos isso. Corpo, carne, pensamentos, sorrisos, roupas. Então conviva, aprenda, ame quem você quiser da maneira que ela é, levando em consideração suas diferenças, porque são elas que nos constituem como seres humanos diferentes e únicos.

E pessoas magras: namorar alguém gordo(a) não lhe faz nem melhor (não se ache um ser especial que  vê mais ou melhor que os outros) e nem pior. Faz  de você apenas uma pessoa normal :).

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