Disney, eu também quero ser princesa!

Disney, eu também quero ser princesa!

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Desde pequena, sempre fui apaixonada por filmes da Disney, especialmente os de princesa. Sempre os assisti até saber todas as falas e músicas decoradas, e até hoje, com meus quase 24 anos, são filmes que fazem parte da minha rotina, e tenho sempre um carinho por eles, seja por seus ensinamentos ou apenas pela memória afetiva mesmo.

A primeira princesa foi Branca de Neve, em 1937. O ideal do imaginário feminino, princesa delicada, doméstica, passiva. E, como o nome já dizia, branca. Esse ideário foi repetido em diversas princesas que vieram nos anos seguintes, como Bela Adormecida, Cinderela.

A partir da década de 90, a Disney acompanhando de certa forma os avanços sociais, começou a chamada “Era da representatividade”, onde começamos a ver mudanças na imagem das princesas. E foi aí que começamos a ver indígenas, orientais, árabes. Foi a vez de Pocahontas, Fa Mulan, Jasmine. Uns dez anos depois, veio o “passo mais largo” com a nossa primeira princesa negra, Tiana (d’A Princesa e o Sapo). Além da mudança de imagem, a personalidade dessas princesas também mudou. Elas viraram princesas cada vez mais fortes, que salvavam seus príncipes, que salvavam seu país, que desafiavam os costumes da época. Ponto pra Disney!

Nos últimos anos, vieram as princesas ditas ~feministas~. Merida (Valente) termina seu filme solteira, a lindeza do Frozen fala do amor de irmã ser mais importante que o amor de um homem. Mais uma vez, ponto pra Disney! Mostra que mesmo que a passos lentos, vemos mensagens cada vez mais importantes sendo passadas nos filmes que, admitamos, influenciaram tanto nossa infância e continuam influenciando a vidinha de muitas menininhas por aí – e espero que continue por muitos anos, porque se um dia tiver filhas, quero que elas vejam os filmes da minha infância.

Mas aí você olha pra mim, e fala “Ok Adelis, esse blog não era sobre Disney. Porque você tá dando uma aula de princesas?”. E eu te conto agora mesmo. Por que uma das coisas mais importantes que todas essas mudanças nas princesas trouxeram pra vida foi a representatividade. Foi a menina poder ver no cinema, nos produtos, uma princesa com seu tom de cabelo, com seu tom de pele, com seu nariz.

E o que essas princesas todas tem em comum? Sejam elas brancas, negras, orientais, loiras, morenas? São todas magras. Inclusive, a cada ano mais magras. Mesmo com todo o boom da representatividade, a menina gordinha não vai se enxergar no filme. Ser gorda e ser princesa não combinam, a Disney manda a mensagem. E assim, vai ensinando desde a mais tenra idade que o cuidado com o peso, o olho na balança é uma coisa real!

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O artista brasileiro Edull redesenhou as princesas gordinhas, super modernas!

A gordura é vista como coisa ruim, literalmente. Basta lembrar que os personagens gordos que lembramos são todos vilões. É a Ursula, da Pequena Sereia, a Rainha de Copas, de Alice. Dessa forma, vamo lá perpetuando a mensagem.

Há uns anos, a Disney passou por diversas críticas por, na linha oficial das “Princesas” (linha comercial), além do tradicional trocar de vestidos, todas passaram por um embranquecimento (claro, as que já não eram brancas), e um “embelezamento”: afinaram, passaram maquiagem até na Pocahontas, domaram os cachos do cabelo da Merida. Depois de muitas críticas, a Disney cancelou essa mudança.

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Redesenho criticado das princesas em 2012, em que elas emagreceram, embranqueceram e afinaram os narizes.

Enfim, por mais que eu nunca tenha me sentido visualmente representada, um dos meus exercícios infantis na brincadeira de “ser princesa” era procurar alguma característica que eu pudesse me identificar e me encaixar. Era assim que eu “era” a Bela, da Bela e a Fera, por ela ser uma leitora compulsiva e ser “a única princesa que ganha uma biblioteca de presente”. Era o meu jeitinho de burlar.

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“Minha amiga decidiu dar a todas uma princesa para sua festa temática da Disney, mas eu fiquei imaginando quem eu vou ser, porque eu sou a única gorda que não parece com nenhuma princesa”

Continuo acompanhando os lançamentos, e a próxima princesa será Moana, a primeira polinésia. Mais um avanço na representação! E pela sinopse da história, que sai esse ano, ela vai continuar na linha das princesas fortes, corajosas, decididas (como somos nós, mulheres!). Eu continuo acompanhando e continuo torcendo pra que, um dia, eu também possa ser (ainda mais) princesa. Disney, manda uma gordinha aí!

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