Superando medos (e pessoas imbecis)

Superando medos (e pessoas imbecis)

O medo é um mecanismo de defesa do corpo pela consciência do perigo, um temor e um receio de algo. E esse medo, a maioria das vezes, é provocado justamente por PESSOAS. Seja pelo medo da violência física, ou então pelo medo de coisas que parecem “menores”, mas que provocam um impacto psicológico imenso causado pela falta de empatia ou mesmo pela falta de noção da galera.

E muitas vezes ter autoestima é justamente confrontar medos diários, que nos assombram por onde andamos e com quem nós convivemos e que, por vezes, fazem com que nós nos sintamos pessoas diminuídas de valor pelo único motivo de ter características que destoam do que é entendido como “normal”. Esses dias tive que me colocar diante de uma dessas situações. Algo que me fez rememorar medos antigos e inseguranças pelas quais nunca mais havia passado. E isso aconteceu ao voltar a cursar uma disciplina com um professor de sociologia com o qual já havia tido aula e com o qual não tive exatamente uma boa experiência (apesar de só perceber a violência que sofria anos após o ocorrido).as gordas

Segue um diálogo que um amigo me contou quando cogitei fazer cirurgia e que me matou durante anos:

Professor: E Marcella, hein? Ela é obesa né, cara! Ela não pensa em fazer nada não?

Amigo: Sim, ela pensa em botar um balão.

Professor: Um balão? Como é isso, hein? Além de gorda vai voar? Rsss

Amigo: Não, um balão no estômago, que substitui a bariátrica

Professor: Tô brincando, cara, haha

Esta situação me remete às violências simbólicas, que não adquirem forma necessariamente física (bater ou xingar alguém), mas que se apoiam no reconhecimento de uma determinada imposição de lugar privilegiado por parte de quem a pratica: “Ei, você não vale isso que você acha que vale. Eu valho mais” é o que a mensagem subliminar da violência simbólica quer passar.

 E essa violência acontece com muita gente JUSTAMENTE em lugares que não deveriam acontecer: pessoas sofrem dentro de ambientes tanto informais, como na família, relacionamentos, etc; como nos “formais”, na universidade, por exemplo, que foi este caso acima. Ambientes que, em muitos momentos, se destinam justamente a tentar diminuir os abismos sociais no intuito de entender as diferenças e entender as pessoas enquanto PESSOAS, na realidade só reforçam uma série de relações que estão por trás dessa lógica do poder. E também está dentro dessa lógica do poder a relação do professor/aluno, que era o que sentia constantemente dentro de sala de aula, inclusive sendo colocada em comparação com outras alunas. Estas violências reverberam em outras instâncias. Elas não falam apenas do corpo, elas falam de tudo e implicam numa série de consequências cotidianas e políticas.

A violência tem cor, gênero, classe e também adquire FORMA. O gordo tende, em diversas situações, a sentir-se menos capaz unicamente por ser gordo. O preconceito e a violência pode não assumir a forma de palavras, como aconteceu dessa vez, mas assume forma de olhares, risos, situações, dentre outros modos de diminuir alguém. E lidar com essa violência é lidar com o medo, lidar com o medo da gordofobia, algo que exclui e entende alguém como não pertencente a determinado ambiente pelo tamanho das roupas.gorda

Ser gorda, ser negra, ser uma pessoa com deficiência, ser pobre, ou ser alguém que foge das normas sociais é ser alguém que fica diariamente superando medos que dizem o tempo todo que não se deve ser quem se é, que não se deve estar ali, que você DEVE mudar. E não é preciso mudar para superar esses medos. Na realidade os OUTROS é que precisam mudar. E superar os medos tem a ver com enfrentar e tentar mudar essas situações. Quando o professor falou: “Ela não vai fazer nada?”,em relação a ser gorda, hoje em dia eu digo que tentarei sim mudar algumas coisas, mas no intuito de exigir respeito das pessoas, a começar por este senhor, que se aproveita de seu status social para constranger os aluno(a)s. Não deixem que estas coisas aconteçam. Resistam e superem seus medos.

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